quarta-feira, novembro 30, 2005

Arbitragem

A Ética na Arbitragem do Karaté
( Por: Alexandre Conrado )

“Amigos, eu, Prof. Silvio Ricardo Rodrigues, recebi no dia 08 de maio/2002 às 13:01 horas, o e-mail abaixo, e que se trata de um relato de uma pessoa do Estado de Sergipe, preocupada, tanto quanto eu, com as arbitragens no karaté.
É bom saber que não estou sozinho, e que outras pessoas compartilham do mesmo sentimento que eu, no que diz respeito a esse tema tão polémico:
"Acompanhando há alguns anos o esforço esportivo do meu e dos filhos de vários outros companheiros, resolvi, não sem reflectir bastante, tecer considerações acerca da ética na arbitragem do Karaté, sem dúvida uma ferida a comprometer todo um corpo filosófico que já teria sucumbido, não fosse, acredito, a dignidade de alguns mestres verdadeiros, pois muitos tenho conhecido, absolutamente descomprometidos com a preservação do espírito dessa arte marcial nobre.
Nestas linhas, estou movido pelo desejo sincero de resgatar os atletas dos tatamis por estar convencido de que não é ali que se forma o verdadeiro karateca, mas no estudo e na reflexão, desde o Za-zen, até a mais profunda assimilação do Budo.
Lamento, aliás, não com menos sinceridade, que a prática venha suplantando em muito a teoria e que as academias, além dos exames comuns, não adoptem exames teóricos que abordem a história, a metodologia, a essência dos fundamentos desenvolvidos ao longo dos anos.
O drama da ignorância acerca das reais finalidades do Karaté materializa-se durante as competições.
Ali, mais que em qualquer outro momento e lugar, testemunhamos não apenas a incompetência, que seria desculpável, se respaldada pela boa vontade e pelo desejo de acertar.
O que vemos, porém, é a fraude, o subterfúgio, a gatunagem tristemente mal disfarçada, patrocinando vitórias imerecidas.
E tudo isso sob o manto de um juramento solene, prestado com o braço soerguido, como se o respeito à própria consciência não devesse ser o objectivo primeiro de todos os que se curvam perante a serena imagem dos Mestres Fundadores e das Bandeiras.
Como leigo, pai de um jovem karateca e admirador sincero desse desporto, aprendi que o Karaté não está simplesmente no tatami.
Sinto-o no cumprimento digno ao oponente; na preocupação que devemos ter com todos os atletas, mesmo de academias adversárias, que estejam sedentos ou com fome, durante as estafantes permanências nos ginásios; na expectativa da vitória justa, seja de quem for.
É sempre triste quando nos vangloriamos, pais, atletas ou mestres, por vitórias imerecidas.
É como se traíssemos a memória dos antepassados que construíram a estrada na qual palmilhamos.
Que dizer então, quando os árbitros suprimem ou acrescentam pontos, invalidam bandeiradas correctas dos árbitros laterais, surrupiam preciosos segundos dos cronómetros?
E dos mestre que recomendam aos árbitros das suas academias que preservem pontos para os seus atletas?
E outros, ainda, que aconselham que os lutadores finjam o "contacto" para que o adversário sofra derrotas por faltas que não cometeu?
Os que assim procedem com certeza imaginam que pais e mães, escaldados durante seis ou sete anos de arquibancada, nada conhecem de Karaté.
Como estão enganados! Ademais sequer imaginam que estão a ser observados e que os seus nomes estão a ser inscritos no rol dos incapazes, quando não entre os desonestos.
Discutia, há poucos dias, com amigos filiados a federações distintas.
A falta de ética na arbitragem do Karaté era a tónica da nossa conversa e das nossas preocupações.
Um deles, desencantado, afirmava que a arbitragem era o mais temido adversário do karateca e estava decidido a pendurar o cinto.
Agradecíamos aos Céus, na oportunidade, pelo fato de o Karaté não ser ainda um desporto tão difundido, para que a vergonha da arbitragem imoral não lhe conspurque a imagem pura, preferindo que ele se renove antes, não pela supressão das tradições, mas exactamente pelo resgate dessas, pois com elas, igualmente, serão resgatadas a dignidade, o respeito, a cordialidade e a honra.
O Karaté, para mim, tem sido motivo de grandes alegrias, mas a arbitragem que nele tem sido praticada tem provocado tristezas para inúmeras pessoas e, pior, tem incentivado os frágeis de carácter a agirem de modo igualmente desonesto, indiferentes à qualidade da vitória que obtêm.
Quando o meu filho pediu para "aprender Karaté", preocupamo-nos em procurar uma academia dirigida por um mestre que não fizesse dele, apenas, um campeão ou um coleccionador de medalhas, mas que fosse capaz de dar contornos de perfeição à sua personalidade ainda em formação.
Graças a Deus acertamos e com que alegria o meu filho a minha esposa e eu próprio temos aprendido naquele Dojo a grandeza de ser honestos no desporto.
Graças, também, aos verdadeiros Mestres e aos árbitros que aceitaram as suas instruções o Karaté vem resistindo aos golpes que lhe aplicam seus falsos adeptos.
Quero acreditar, sob esse aspecto, que o Karaté encontrará o seu verdadeiro caminho, afinal não se concebe que a "luta de mãos vazias", tão limpa na sua essência, esteja submetida ao critério duvidoso de uma arbitragem suja.

Eu, Sensei Silvio, quero aqui agradecer ao Sr. Alexandre Conrado, por enviar esse e-mail.”

Fontes de Pesquisa:
wwww.karatebarretos.com.br