quarta-feira, novembro 30, 2005

Bushido - O suporte mental dos Samurais


" O homem deve ser duro consigo , porém, temperado pela bondade"
Filosofia Bushido

Bushido, literalmente traduzido como “O Caminho do Guerreiro”, desenvolveu-se no Japão entre as eras de Heian e Tokugawa (séc. IX-XII). Era um modo de vida e um código para o Samurai, uma classe de guerreiros similar aos cavaleiros medievais da Europa.

Eram influenciados pelo Zen e pelo Confucionismo, duas escolas diferentes de pensamento desses períodos. O Budismo põe ênfase na “Lealdade, Autosacrifício, Justiça, sentido de vergonha, modos refinados, Pureza, Modéstia, Sobriedade, Espírito Marcial, Honra e Afecto”.

Bushido é uma palavra japonesa que resulta da soma de "Bushi" (samurai, guerreiro) + "do" (caminho).
Este código de conduta dos samurais, foi posteriormente transmitido às artes marciais em geral, embora actualmente esteja um pouco esquecido, tudo o que se refere à Honra, à Honestidade, aos Bons Costumes e ao Código de Conduta é ainda cultuado e perpetuado nas academias sérias de Artes Marciais.
O Bushido , código de ética dos samurais, tinha mais força que as próprias leis do Japão.
Transmitido oralmente, todos os clãs de samurais o seguiam à risca. Para o Bushido, o objectivo da vida de um samurai era uma morte honrosa.

O Samurai e a sua relação com a Morte

O espírito de um guerreiro valoroso tinha de estar constantemente preparado para morrer.
Por isso, era preciso viver cada momento como se fosse o último.
Tudo tinha de ser feito com o máximo empenho, e a morte tinha de ter um significado, não podia ser inútil.
Como resultado os samurais ficaram conhecidos até aos nossos dias por jamais vacilarem diante do fim, nem mesmo nos momentos de maior perigo nos campos de batalha.
Um samurai rezava o Bushido antes de cada batalha, devia estar preparado para vencer o inimigo sozinho, mesmo que esse fosse numeroso e as chances de vencê-lo fossem mínimas.
Ao receber um golpe mortal, dizia o Bushido, o samurai não podia cair de bruços, em posição desonrosa, dando as costas para o inimigo.
Ele deveria encarar o inimigo de frente, mesmo morto.
Desde criança, os samurais absorviam os conceitos budistas da reencarnação.
Acreditando desde cedo que a morte não é o fim, mas apenas uma porta de passagem para uma nova fase de existência que poderia ser atravessada a qualquer momento.
Não havia honra maior para um samurai do que morrer defendendo o seu senhor ou a sua própria reputação.
A familiaridade com a morte era tão grande, que um samurai preferia matar-se a ser preso pelo inimigo.

Seppuku

O Seppuku era nada mais, nada menos um suicídio cerimonioso, usado exclusivamente pelos samurais como forma de limpar a Honra ou evitar cair em desgraça.
Geralmente era realizado com uma adaga, com a qual, depois de ajoelhado, o samurai perfurava o próprio ventre e dilacerava-o em forma de L ou cruz, até as vísceras ficarem expostas (Harakiri).
A exposição das vísceras simbolizava que ele estava mostrando a sua verdade, oferecendo o seu interior para ser purificado.
Após isso, outro samurai, escolhido pelo suicida (normalmente um amigo próximo), decepava-lhe a cabeça, como um golpe de misericórdia.
O Bushido era o suporte mental dos samurais.

Os sete princípios do Bushido

Estes são os sete princípios que regem o código do Bushido, o guia moral da maioria de samurais Rokugan. Sê-de fiel a eles e a vossa honra crescerá. Quebrem-os, e o vosso nome será injuriado pelas gerações vindouras.


1. GI – Honradez e Justiça: Sê honrado nas tuas maneiras com todo o mundo. Crê na Justiça, não na que vem dos outros, mas sim na tua própria. Para um autêntico samurai não existe o cinzento no que diz respeito à Honradez e à Justiça. Apenas existe o certo e o errado.


2. YU – Valor Heróico: Eleva-te sobre as massas de gente q teme actuar. Ocultar-se como uma tartaruga na sua carapaça ñ é viver. Um samurai deve ter valor heróico. É absolutamente arriscado. É perigoso. É viver a vida de forma plena, completa, maravilhosa. A coragem heróica não é cega. É inteligente e forte. Substitui o medo pelo respeito e pela precaução.

3. JIN – Compaixão: Mediante o treino intenso, o samurai torna-se rápido e forte. Não é como os restantes homens. Desenvolve um poder que deve ser usado para o bem de todos. Tem compaixão. Ajuda os seus companheiros em qualquer oportunidade. Se a oportunidade não surge, sai do seu caminho para a encontrar.


4. REI – Cortesia: Os samurais não têm motivos para serem cruéis. Não precisam de demonstrar a sua força. Um samurai é cortês até com os seus inimigos. Sem esta mostra de respeito não somos melhores que os animais. Um samurai recebe respeito não apenas pela sua ferocidade em batalha, mas também pela sua maneira de tratar os restantes. A verdadeira força interior do samurai torna-se evidente em tempos de apuros.


5. MEYO – Honra: O autêntico samurai só tem um juízo da sua própria honra, e é ele próprio. As decisões que toma, e como as leva a cabo são um reflexo de quem é na realidade. Não pode esconder-se de si próprio.


6. MAKOTO – Sinceridade Absoluta: Quando um samurai diz que fará algo, é como se já estive-se feito. Nada nesta terra o deterá de realizar o que disse que faria. Não há que “dar a sua palavra”. Não há que “prometer”. O simples facto de falar já pôs em movimento o acto de fazer.


7. CHUGO – Lealdade e Dever: O samurai é eternamente fiel ao seu senhor e eternamente responsável por aqueles que tem a seu cuidado. Só há uma lealdade superior à de um samurai: a do seu senhor para com os seus súditos.
Para um samurai, ter feito ou dito “algo” significa que esse “algo” lhe pertence. É responsável por ele e por todas as consequências que se sigam. As palavras de um homem são como suas pegadas, podes segui-las para onde quer que ele vá.


Cuidado com o caminho que segues

Eis alguns comentários de Mirumoto Jinto, Rikugunshokan do Clã do Dragão, sobre o código do Bushido:

Sobre o Valor: O caminho do valente não segue os passos da estupidez.

Sobre a Lealdade: Um cão sem amo vagabundeia livre, mas o falcão de um Daimyo voa mais alto.

Sobre o Respeito: Uma alma sem respeito é como uma casa em ruínas. Deve ser demolida para que se construa uma nova.

Sobre a Excelência: A perfeição é uma montanha inescalável que deve ser escalada todos os dias.

Sobre a Vingança: A ofensa é como um breve haiku (breve poema japonês de três versos): pode ignorar-se, desconhecer-se, perdoar-se ou apagar-se, mas nunca pode ser esquecida.

Sobre a Espada: A minha lâmina é a minha alma. A minha alma pertence ao me Daimyo. Ultrajar a minha lâmina é afrontar o meu Daimyo.

Sobre a Honra: A morte não é eterna; a desonra sim.

Sobre a Morte: O samurai nasce para morrer. A morte não é pois uma maldição a evitar, mas sim o fim natural de toda a vida.

O Credo dos samurais

Eu não tenho parentes,
Faço do Céu e da Terra meus parentes;
Eu não tenho lareira,
Faço do Tan T’ien a minha lareira.
Eu não tenho poder divino,
Faço da honestidade a minha força;
Eu não tenho condutas,
Faço da humildade a minha forma de relacionamento;
Eu não tenho poderes mágicos,
Faço da minha força de espírito o meu poder mágico;
Eu não tenho nem vida nem morte,
Faço da eternidade a minha vida e a minha morte;
Eu não tenho corpo,
Faço da coragem meu corpo;
Eu não tenho olhos,
Faço do relâmpago os meus olhos;
Eu não tenho ouvidos,
Faço do meu bom senso os meus ouvidos;
Eu não tenho membros,
Faço da vivacidade e rapidez os meus membros;
Eu não tenho leis,
Faço da minha autodefesa a minha lei.
Eu não tenho estratégia,
Faço do correcto para matar e do correcto para restituir a vida a minha estratégia.
Eu não tenho ideias,
Faço do tomar a oportunidade de ante mão as minhas ideias;
Eu não tenho milagres,
Faço do respeito à verdadeira doutrina o meu milagre;
Eu não tenho princípios,
Faço da adaptabilidade a todas as coisas o meu princípio;
Eu não tenho tácticas,
Faço do vazio e da plenitude a minha táctica.
Eu não tenho talento,
Faço da minha astúcia o meu talento.
Eu não tenho amigos,
Faço do meu espírito meu amigo;
Eu não tenho inimigos,
Faço do descuido meu inimigo;
Eu não tenho armadura,
Faço da minha sinceridade e da minha rectidão a minha armadura;
Eu não tenho castelo fortificado para me defender,
Faço da minha sabedoria e da minha mente inamovível o meu castelo;
Eu não tenho espada,
Faço da minha calma e silêncio espiritual a minha espada.


Fontes de Pesquisa:
www.karatebarretos.com.br
mx.geocities.com/karateveracruz/bushido.htm