quarta-feira, novembro 30, 2005

Rivalidade entre Estilos


Se passarmos uma vista de olhos pelo mundo das Artes Marciais dos nossos dias, far-nos-á pena apercebermo-nos da rivalidade existente entre estilos e escolas.
Este é um problema que se arrasta há séculos, e no entanto, em pleno século XXI ainda se ouve com excessiva frequência frases do tipo: 0 meu sistema é melhor do que o teu, tal país tem melhor sistema de determinada modalidade que tal outro, etc. ...

Penso que é chegada a hora de por as diferenças de lado e enfrentar o facto de que todos pertencemos à mesma família: a dos artistas marciais e a dos seres Humanos; para além disso, assim poderemos adquirir novas aprendizagens e ter um conhecimento mais aprofundado das artes marciais.

Como tal, Bruce Lee viu os diferentes estilos tal como realmente são: segmentos de uma totalidade. Pura e simplesmente. Não importa quão completo seja o estilo, é impossível que possa cobrir todas as possíveis situações e todas as possíveis necessidades dos diversos tipos de pessoas que o possam estudar no futuro. Conceitualmente e por definição, é coisa impossível. É como alcançar a perfeição. Todos sabemos que não é possível, mas o importante é que ainda assim nos esforçamos por nos aproximarmos dela. Para tal é preciso estarmos abertos ao intercâmbio de técnicas ou dispostos a treinar com outros praticantes.

Como se costuma dizer, devemos gozar mais da viagem do que da chegada, pois a viagem é algo como a vida, com movimento, enquanto que a chegada significa parar todo o movimento, estancamento no destino e chegar ao terminal. Aliás, é a força de vontade do indivíduo o que determina que alguém seja um grande lutador, e não um determinada estilo. Logo para se ser u bom artista marcial o mais importante não é o estilo, mas sim qualidades como: determinação, força, velocidade, perseverança, equilíbrio, coordenação, etc., no estilo que se pratica.

Todo este aperfeiçoamento requer e cada um, um constante processo e refinamento e pesquisa, em busca de que realmente o ajuda a expressar-se a si mesmo honestamente como ser humano. Nunca chegando a destinos, mas sempre na rota, a bordo da chamada auto-descoberta. Tal como Bruce Lee nos dizia: “Como um escultor que lima e descarta o não essencial, até chegar a descobrir a obra por debaixo da pedra bruta, assim o homem do J.K.D. está em constante processo de descartar o que não é propriamente seu, até alcançar esse punhado de técnicas que funcionam para ele e que lhe servem como postes anunciando o caminho para um nível superior de entendimento”.

Assim, o último objectivo das Artes Marciais não reside na vitória ou na derrota mas sim na perfeição do carácter dos seus.


“Estudar Artes Marciais é como escalar uma escarpa, continua sempre em frente sem descanso. O descanso não é permitido porque causa recessões para anteriores estados alcançados. Perseverando dia após dia, melhora-se a técnica, mas descansar, nem que seja um só dia, causa lapsos. Isso terá de ser evitado.”



“No ensino do karaté, encontrei todos os géneros de estudantes assim como todo o género de personalidades. Alguns têm a matéria de um excelente homem de karaté. Outros são preguiçosos. Num curto período de seis meses ou de um ano, é difícil saber a extensão até onde as pessoas se vão desenvolver. Alguns são bem coordenados e fazem progresso rapidamente no início para depois descansar sobre seus louros, tronando-se preguiçosos, e no fim vêm-se ultrapassados pelas pessoas que no início eram muito menos promissoras.”
(Mas Oyama)


Fontes de Pesquisa:
Cinturão Negro, nº 79, (Junho 2000). p. 22, 23